seg, 14 set 2009
AAAAArrrrrr!!!!! Bem vindos, mandriões!
Estamos de volta, mas desta vez em nossa primeira matéria para a Iniciativa 4e!
Hoje trataremos de um gênero complexo, mas extremamente divertido: PIRATARIA!
Não. Não estou falando de cópias ilegais e similares, mas do gênero de fantasia baseado na era das navegações, que voltou a ser cult após a trilogia Piratas do Caribe. Mas antes, que tal um pouco de cultura? Eu não consigo resistir!
Direto da Wikipedia: Um pirata é um marginal que, de forma autônoma ou organizado em grupos, cruza os mares só com o fito de promover saques e pilhagem a navios e a cidades para obter riquezas e poder. O estereótipo mais conhecido do pirata se refere aos Piratas do Caribe e cuja época áurea ocorreu principalmente entre os séculos XVI e XVIII.
Uma rápida introdução à história da pirataria
O termo pirata oriunda desde a Odisséia de Homero, na Grécia Antiga, onde essencialmente os piratas eram aqueles que pilhavam no mar por conta própria, assolando as costas civilizadas. Eles navegavam nas rotas comerciais com o objetivo de tomar riquezas alheias de mercadores, navios do estado ou povoados e cidades costeiras, capturando tudo o que tivesse valor, desde metais e pedras preciosas a bens, e fazendo reféns para extorquir resgates. Normalmente esses reféns eram as pessoas mais importantes e ricas, para que assim, o pedido de resgate pudesse ser mais elevado.
Os piratas eram considerados os precursores dos conhecimentos de navegação marítima. Eles aterrorizaram desde a costa da Turquia, toda costa do mediterrâneo e África, e as rotas marítimas para as colônias européias nas Américas, tendo o mar do Caribe e das Caraíbas como as regiões praticamente dominadas por eles. Muitos até eram contratados pelo governo para atacar navios de países rivais, e manter as cargas para a Europa em segurança, tornando nublada a definição de ilegalidade e oficialidade por parte dos piratas.
As tripulações eram formadas por todos os tipos de pessoas, mas a maioria deles era de homens do mar que desejavam obter riquezas e liberdades reais. Muitos eram escravos fugitivos ou servos sem rumo. Apesar de agressivos e sanguinários, os piratas eram democráticos. O capitão era eleito pela tripulação e podia ser removido do cargo a qualquer momento. Eles preferiam navios pequenos e rápidos, que pudessem lutar ou fugir de acordo com a ocasião, usando de métodos de ataque que consistia em embarcar e realizar o ataque corpo a corpo. Normalmente indisciplinados, bebiam muito e sempre terminavam mortos no mar ou enforcados, depois de uma carreira curta, mas transgressora. Os piratas costumavam controlavam cidades insulares para recrutar tripulações, vender mercadorias capturadas, consertar navios e gastar o que saqueavam.
Uma vida em terra e no mar
Quando os piratas regressavam das suas pilhagens, eles estavam prontos para a diversão. Se regressassem de uma viagem bem sucedida, os piratas rapidamente esgotavam a sua riqueza nas tabernas e nas cervejarias locais. Muitas vezes, piratas bêbedos, gastavam milhares de pesos numa única noite, numa época onde esse valor comprava uma pequena manada de gado.
No tempo em que permanecem em terra, os navios são reparados e conservados, e se necessário, substituídos, e os feridos se recuperam para zarpar mais uma vez, quando o dinheiro começa a rarear.
A vida no mar era árdua, os porões eram escuros e mal-cheirosos, úmidos e notavelmente difíceis de respirar. Neste local, a maior parte da tripulação ocupava junto da carga, alimentos, munição e água. Nas viagens de longa duração, o racionamento de comida era o maior desafio. Os piratas muniam-se de cerveja engarrafada antes das viagens longas, pois a água rapidamente se deixava de ser potável. Os piratas detestavam os biscoitos duros que usavam como ração, pois duravam muito tempo enquanto mantidos secos. Muniam-se de lima para evitar o botulismo, e se tivessem sorte, podiam ter algumas galinhas a bordo. Quando em regiões favoráveis, caçavam tartarugas para repor a carne quando esta acabava.
Bucaneiros e Corsários
O termo Bucaneiro vem do francês boucanier. O boucan é um grelhador usado para fazer carne fumada, que era uma forma de preservar carne, usada pelos índios nativos das Caraíbas Arawak, que ensinaram a técnica aos colonizadores ilegais em Hispaniola (actual ilha do Haiti e República Dominicana). Estes colonos intrusos caçaram o gado e porcos selvagens e usaram o boucan para preservar a carne para depois comer ou vender aos navios que passavam. Os caçadores que viviam do boucan, ficaram conhecidos por bucaneiros. Muitos bucaneiros usavam do disfarce de vendedores para atrair navios e sequeá-los.
Um corso ou corsário era um pirata que por missão, ou carta de marca de um governo, era autorizado a pilhar navios de outra nação, aproveitando o fato de as transações comerciais basearem-se na época, na transferência material das riquezas. Os corsos eram usados como um meio fácil e barato para enfraquecer o inimigo, criando conflitos em suas rotas marítimas. A carta na qual dava o poder aos piratas e salvo-conduto era chamada de Carta de Corsovo, e com ela não eram incomodados pelos navios militares do governo que a redigiu.
O famoso Código de Conduta dos Piratas
Sim, isso é sério! O capitão era quem estabelecia as regras, e quando estas eram quebradas, a tripulação punia várias vezes sem dó nem piedade o infractor. Ainda assim, em alguns casos em que o pirata em questão desempenhava bem a sua função podia ser absolvido.
Exemplo de um código de conduta
- Todos os homens devem obedecer ao código civil; o capitão tem direito a uma parte e meia de todos os prêmios; o subcapitão, o carpinteiro, o mestre e o homem de armas têm direito a parte e um quarto.
- Se alguém tentar fugir, ou guardar algum segredo do resto da tripulação, ele deve ser abandonado numa ilha deserta com uma garrafa de pólvora, uma garrafa de água (o suficiente para sobreviver dois ou três dias), uma pequena arma e munições.
- Se alguém roubar alguma coisa, ou jogar, no valor de uma pesos, ele deve ser abandonado numa ilha deserta com uma pistola contendo uma única bala.
- Se alguma vez nós nos tivermos de encontrar com outro pirata e esse homem seguir os seu código sem o consentimento do nosso capitão e da nossa tripulação, deve sofrer a punição como o capitão e a tripulação quiserem.
- O homem que desrespeitar estes artigos enquanto este código estiver em vigor, deve ser punido com a lei de Moisés (40 chicotadas sem faltar nenhuma) nas costas despidas.
- O homem que abocanhar as suas armas ou fumar tabaco no porão, sem uma tampa no cachimbo, ou carregar uma vela acesa sem lanterna deve ter a mesma punição que o artigo anterior.
- O homem que não mantiver as suas armas limpas, que ficar noivo, ou se esquecer da sua função, deve sofrer qualquer punição que o capitão e a tripulação quiserem.
- Se um homem perder o seu casamento deve ganhar 400 pesos, se um membro 800.
- Se alguma vez te encontrares com uma mulher prudente, que esse homem se ofereça a intrometer-se com ela, sem o consentimento dela, deve sofrer morte certa.
- O homem que fica para trás é deixado para trás.
Apesar do que foi dito no filme Piratas do Caribe, os piratas realmente seguiam uma espécie de legislação, ou algo similar a isso. Os piratas realizavam tribunais e julgamentos a bordo dos navios, o que muitas vezes terminava em fazer alguém “andar na prancha”. Em terra, os piratas eram julgados pelos governos que o capturavam com severidade pelas cortes européias. Uma vez eu alguém seja condenado, o pirata podia ser enforcado a qualquer hora dez dias depois do julgamento. No dia do enforcamento, os piratas eram os principais alvos de chacota na procissão realizada no dia até ao local do enforcamento, o que aglomerava multidões. O pirata era encapuzado por um capelão e instigado a admitir seus pecados, antes de serem enfim enforcados. Normalmente os corpos eram enterrados na praia para serem levados pelas marés em alguns dias, enquanto alguns capitães eram preservados em alcatrão, encaixotados e pendurados em local visível de frente para o mar, como exemplo para os que passassem por lá, e assim saberem qual o destino de um pirata.
Raros eram os casos de prisões por tempo indeterminado, o que culminava na morte por inanição, doença ou velhice.
Os piratas eram homens rudes e terríveis, e a tortura, por queima ou mutilação, eram castigos comuns que eles davam às suas vítimas. Os piratas chineses prendiam as suas vítimas em gaiolas de bambu ou pregavam-nos ao convés. A tortura era utilizada para extrair rapidamente informação da vítima, acerca de navios com tesouros, rotas marítimas ou tesouros escondidos. Um caso extremo na nossa história ocorreu no caso dos inúmeros cercos feitos a Argel, em que os corsários berberes usavam prisioneiros franceses como munição contra os barcos destes. Existe apenas um relato de um jornal de 1829 de os piratas terem obrigado o seu prisioneiro a marchar sobre a prancha para se afogar ou ser comido pelos tubarões.
Qualquer pirata que desobedecesse ao código de conduta ou brigasse com os colegas era chicoteado ou deixado à deriva num bote, ou caso um pirata roubasse outro membro da tripulação podiam ser-lhe cortadas a orelhas ou o nariz. Quando condenado à lei de Moisés, era a vítima que fabricava o chicote “gato de nove caudas”. Para se vingar de antigos oficiais, os piratas quando atacavam estes com sucesso castigavam-nos, como por exemplo cortando-lhes o braço ou qualquer outra parte do corpo.
Tesouro de Pirata
Os piratas sabiam como acumular riquezas em suas incursões no oceano. As principais riquezas obtidas pelos piratas eram metais preciosos, dinheiro, jóias e pedras preciosas, mas também acumulavam linho, roupas, comida, âncoras, cordas e medicamentos, e até especiarias como açúcar, índigo e quinina. Cada tripulante do navio recebia uma só parte do butim, com exceção ao capitão, que recebia uma parte e meia. Porém, em alguns casos, o tipo da pilhagem trazia problemas na partia. Algumas moedas, tais como o Peso, eram cortadas para uma partilha mais exata. Jóias não eram fáceis de dividir. As provas deste processo de partilha são as marcas de facas marcadas em alguns tesouros pirata.
O famoso tesouro enterrado é um mito, apesar de que é possível que alguns piratas tenham escondido os seus tesouros pelos métodos contatos na história. A maior parte dos piratas eram extremamente gastadores e raramente acumulavam dinheiro suficiente para o enterrar ou esconder, visto o perigo que estes viviam constantemente, o que os levavam a viver o momento sem se preocupar com o amanhã.
A vida do pirata era extremamente difícil, e certos ferimentos poderiam ser letais em alto mar. Uma ferida mal tratada pode infeccionar, e a amputação era uma medida comum. Caso o mutilado conseguisse sobreviver, eram recompensados financeiramente pela sua perda. Seu membro amputado era substituído por itens que pudessem ser criados com o material a bordo, como pernas de pau, e o estereótipo da mão-de-gancho.
O cozinheiro era o verdadeiro médico a bordo de um navio, pois ele era quem fazia as amputações.
Instrumentos maritmos
Os instrumentos marítimos ou instrumentos náuticos ou instrumentos de navegação, são um conjunto de instrumentos que têm por finalidade obter a posição e a direção de uma embarcação. Alguns instrumentos marítimos são: a bússola, o astrolábio e a esfera armilar.
Bússola: A palavra “bússola” vem do italiano do sul bússola, que significa “pequena
caixa”. É composta por uma agulha magnética na horizontal suspensa pelo centro de gravidade, e aponta sempre para o eixo norte-sul, ao seguir a direção do norte magnético da Terra. Através dele, os marinheiros conseguiam definir sua posição geral em relação ao Norte, podendo assim corrigir sua rota.
Astrolábio: O astrolábio é um instrumento naval antigo, usado para medir a altura dos astros acima do horizonte. Era usado para determinar a posição dos astros no céu e foi por muito tempo utilizado como instrumento para a navegação marítima com base na determinação da posição das estrelas no céu. Era formado por um disco de latão graduado na sua borda, num anel de suspensão e um tipo de ponteiro. O astrolábio náutico era uma versão simplificada do tradicional e tinha a possibilidade apenas de medir a altura dos astros para ajudar na localização em alto mar. O manejo do astrolábio exigia a participação de duas pessoas; consistia em grande círculo, por cujo interior corria uma régua; um homem suspendia o astrolábio na altura dos olhos, alinhando a régua com o sol enquanto outro lia os graus marcados no círculo.
Esfera armilar: A esfera armilar é um instrumento de astronomia aplicado em navegação, que consta de um modelo reduzido da esfera celeste. A esfera armilar foi desenvolvida ao longo dos tempos por inúmeros povos que habitavam o lado asiático. Uma articulação hidráulica no eixo da esfera armilar reproduzir os movimentos da mecânica celeste para fins didáticos, e tem um esqueleto feito de anéis circulares concêntricos articulados nos pólos com escala de graduações e outros perpendiculares representando o equador, a eclíptica, indicando o curso do sol em relação as estrelas de fundo para os 365 dias do ano, os meridianos e os paralelos.
A esfera armilar que tinha por finalidade projetar os planos de inclinação de um observador nas coordenadas da esfera superior podia ser usada também para interpolar as horas diretamente segundo a posição da Ursa Menor, deveria então o instrumento ser usado à noite fixo a um altar no cume das elevações para que pudessem ver o pólo celeste, a observação era acompanhada por um recital semelhante a uma reza. A inclinação do eixo do instrumento deve ser igual a latitude local ou seja paralela ao prolongamento do eixo da terra na direção do pólo celeste.
Terminologia náutica
Amainar – colher ou arriar as velas;
Âncora/ Ferro – peça primitiva de pedra – modernamente de ferro terminada por duas unhas e uma argola na extremidade oposta -, a que se liga um cabo, utilizada para prender as embarcações ao fundo do mar, rio, etc.;
Bóia de Arinque – A bóia de arinque serve para assinalar o local onde se encontra a âncora (ferro). Ao largar ferro, lança-se a bóia e o arinque na água, o mais longe possível do costado. A amarra é uma corrente metálica constituída por elos e liga o ferro ao cabo que prende à embarcação.
Barlavento - é o lado de onde sopra o vento (em oposição a sotavento);
Bombordo – é o bordo à esquerda do rumo da embarcação que permite melhor visão, tem esse nome ou foi escolhido como sendo o “bordo bom”, porque a maioria dos timoneiros são destros e ao segurarem o leme com a mão direita forçosamente sentam-se do lado bom ou seja, o lado que “vai” oferecer melhor visibilidade; contudo durante a época dos descobrimentos portugueses, nas navegações ao longo da costa africana, o “bom bordo” variava, ou seja era o que estava do lado da terra firme, à qual era necessário aceder frequentemente em virtude de tempestades, falta de água ou de alimentos;
Navegar à Bolina – técnica de navegação contra ventos não favoráveis;
Boreste (português brasileiro) ou Estibordo (português europeu) – é o lado do navio à direita da embarcação quando um observador dentro da embarcação olha para a proa;
Bússola – instrumento de navegação, que indica um norte magnético da região;
Calado – medida da profundidade a que se encontra a quilha do navio, ou distância entre a ponta mais baixa da quilha e a linha de água do navio;
Casario – Estrutura de madeira ou metal que se ergue sobre o convés e abriga os tripulantes de um navio.
Casco – a estrutura de flutuação de uma embarcação;
Costado – Parte do forro exterior do casco da embarcação acima da linha de flutuação, com o navio a plena carga. (Durante a construção do navio, considera-se como costado a parte que vai do bojo até a borda)
Escota – cabo atado à retranca do mastro da embarcação através da qual se controla a abertura da vela em relação ao vento;
Hold – área de carga do navio, seu nível mais inferior onde a carga pesada e o lastro eram armazenados.
Lastro – peso, em forma de pedras ou sacos de areia, que visam estabilizar o navio em alto mar. Seu peso mantém a linha d’água em seu nível normal.
Linha d’água – marcação nos navios que indicam o quão o convés está distante da linha do oceano.
Mastreação – Conjunto dos mastros, vergas e paus
Ninho do Corvo – palanque que suporta um observador, no topo do mastro principal, usado para se ter uma melhor visão do horizonte em busca de outras embarcações e sinais de terra.
Popa – é a traseira de uma embarcação;
Proa – é a frente de uma embarcação;
Quadrante – instrumento de navegação;
Sotavento – é o lado para onde sopra o vento (em oposição a barlavento);
Sextante – instrumento de navegação, usado para medir o ângulo entre uma reta que passa pelo observador e um astro, e a linha horizontal; ou o ângulo horizontal entre dois pontos de referência;
Vela – estrutura de propulsão de determinados tipos de embarcação, que usam as forças dos ventos.
Vento aparente – soma vetorial dos ventos real e induzido.
Ok! Acho que posso terminar a parte cultural do post por aqui!
Não se preocupem, a parte 2 segue adiante!
Ishnu-alah!
Muito bom. Confesso que quando fiz meu personagem pro jogo do Marco, pensei em algo piratesco, mas infelizmente não tinha nada parecido na ambientação…. logo virei pescador